domingo, 4 de agosto de 2013

A Europa contra cinco


A partir do próximo fim de semana, a bola começa a rolar nos principais campeonatos nacionais da Europa. Centro das atenções - com os atuais campeão e vice-campeão da Liga dos Campeões - a Bundesliga é a primeira a estrear, com o detentor do título Bayern de Munique entrando em campo no sábado, 9. Uma semana depois, será a vez de portugueses, ingleses e espanhóis darem os pontapés iniciais em suas ligas. Finalmente, no último fim de semana de agosto, inicia-se a Serie A italiana.

Curiosamente, há algo em comum que une as ligas que ocupam o top 5 do ranking de coeficientes das federações da Uefa. Todos os atuais campeões nacionais - Barcelona, Manchester United, Bayern de Munique, Juventus e Porto - são os maiores vencedores de seus campeonatos nos últimos 30 anos. De um lado, os detentores dos títulos, em busca da manutenção de suas hegemonias. Do outro, os grandes rivais, sedentos por conquistas e, acima de tudo, em busca da honra. De agosto a maio, começando no Verão, passando pelo Inverno, e chegando à Primavera. Muito futebol pela frente. Muitos jogos épicos e emocionantes. E uma certeza: cinco alvos a serem abatidos.



Barcelona
atual campeão

Bipolarizado, como já virou habitual
O futebol na Península Ibérica está cada vez mais bipolarizado. Se em Portugal Porto e Benfica são os únicos postulantes ao título, na Espanha a bipolarização fica por conta da dupla de ferro Barcelona e Real Madrid. Com um dos modelos de negociação dos direitos de transmissão de TV mais desiguais que existe no futebol mundial, o campeonato espanhol se viu refém do poder econômico de seus dois gigantes. Nos últimos 30 anos anos, Barça e Real conquistaram 24 títulos, enquanto na última década apenas o Valencia (exatamente há dez anos) se intrometeu e levantou a taça. Para 2013/14, portanto, não é de se esperar nenhuma novidade. O título fatalmente ficará com um dos dois rivais. Enquanto o Barcelona contratou a maior promessa do futebol mundial, o brasileiro Neymar, e o Real Madrid se reforçou com dois jovens promissores espanhóis - Isco e Illarramendi - os demais clubes fizeram contratações modestas.

Favoritos

Barcelona
O que esperar de um time que tem dois dos melhores meias do mundo - Xavi e Iniesta -, além daquele que tem tudo para se tornar o melhor futebolista de todos os tempos (Messi) e ainda contrata a maior promessa do futebol? Pois é. Esta é a questão que todos fazem, desde que o Barça anunciou Neymar como reforço. A dúvida, contudo, não reside apenas em saber como o brasileiro vai se encaixar. O Barcelona passará por uma época de transição. O clube catalão se viu forçado a trocar de treinador. Para o lugar de Tito Vilanova (em tratamento contra um câncer) chega Gerardo Martino. E o argentino “Tata”, como é conhecido, terá, simplesmente, como principal missão fazer com que Messi e Neymar formem uma dupla histórica.

Real Madrid
O principal reforço do Real Madrid se encontra no banco. O clube madrilenho foi a Paris tirar o italiano Carlo Ancelotti do novo-rico PSG, para substituir o português José Mourinho. Ancelotti chega à capital espanhola com a expectativa de conseguir aquilo que “El Especial” fracassara em obter. Retomar o protagonismo no futebol nacional e dar um título europeu ao clube, feito que não alcança desde 2002. Para isso, o experiente treinador conta, principalmente, em ter um bom ambiente interno no grupo, que havia rachado durante a gestão de José Mourinho. Os dois principais reforços para o elenco vieram da Espanha: Isco e Illarramendi. O Real, contudo, ainda pode fazer uma loucura: pagar 92 milhões de Euros por Gareth Bale, do Tottenham.



Manchester United
atual campeão

Manchester contra Londres
É assim que tem se resumido a disputa na Premier League inglesa, o campeonato de futebol de maior faturamento no mundo. Nos últimos 18 anos, apenas clubes de Manchester e Londres têm conquistado o título. E assim deve se manter em 2013/14. A tendência é de que o troféu fique com um clube de uma dessas cidades. Entretanto, há um alvo a ser abatido por todos: Manchester United. Os Red Devils, atuais campeões, conquistaram 13 dos 21 títulos disputados desde que o campeonato inglês passou a se chamar Premier League. Manchester City e Chelsea são os principais concorrentes do United. Enquanto Arsenal e Tottenham correm por fora nessa briga. O tradicional Liverpool deve, mais uma vez, ficar longe dessa disputa.

Favoritos

Manchester United
26 anos e meio depois, os Red Devils entrarão em campo sob o comando de um treinador que não seja a lenda Sir Alex Fergunson. Ao fim desse longo período de serviços prestados, com 13 títulos ingleses, duas Ligas dos Campeões e dois Mundiais de clubes, o escocês se aposentou. Para o seu lugar, outro escocês. David Moyes, que estava há 11 anos no Everton. Moyes terá a difícil missão de manter o clube no topo, com a pressão de suceder uma lenda viva. Por enquanto, o United ainda não anunciou nenhum reforço de peso. O clube tenta, a todo custo, contratar Cesc Fàbregas ao Barcelona. Mas já começa a pensar em alternativas, ante a recusa dos catalães. Já se fala em nomes como Modric (Real Madrid) ou Marchisio (Juventus).

Manchester City
115 milhões de Euros (R$ 350 milhões). Este foi o valor gasto pelo Xeque Mansour bin Zayed Al Nahyan, dono do City, nas quatro contratações para tentar recuperar o título perdido para o rival United na temporada passada. Para o ataque, chegaram Jovetic (ex-Fiorentina) e Negredo (ex-Sevilla); para o meio-campo, o brasileiro Fernandinho (ex-Shakhtar Donetsk) e Jesús Navas (ex-Sevilla). No comando técnico, o argentino Manuel Pellegrini substitui o italiano Roberto Mancini. Embora tenha conquistado o título inglês da temporada 2011/12, Mancini nunca foi unanimidade nos Citizens. Pellegrini, que tem uma passagem apagada pelo Real Madrid em 2009/10, chega credenciado pelo excelente trabalho à frente do Málaga.

Chelsea
Coincidentemente, os três principais postulantes ao título têm novo treinador. No Chelsea, o retorno de um velho conhecido. Insatisfeito em Madri, onde rompeu com parte do elenco do Real e viveu às turras com a imprensa espanhola, José Mourinho volta a Londres, a fim de tentar reassumir o personagem “The Special One”. Reconquistar a Premier League será pouco. E o português sabe disso. Ele chega aos Blues com a obrigação de levar o time ao título da Liga dos Campeões. Sem nenhuma saída significativa no elenco, o Chelsea buscou se reforças com jovens promissores. Foram contratados os meias Cristian Cuevas (chileno de 18 anos) e o holandês Marco van Ginkel (20 anos), além do atacante alemão André Schürrle, 22.




Bayern Munique
atual campeão

Muita atenção aos alemães
A Copa das Confederações pode até ter tirado o foco do futebol mundial. Com a Alemanha de fora da disputa, Brasil e Espanha protagonizaram a competição da Fifa que antecede a Copa do Mundo. E, de alguma forma, o futebol alemão ficou esquecido. Mas Bayern de Munique e Borussia Dortmund já estão de volta. Na disputa da Supercopa alemã, o Dortmund fez 4 a 2 em mais um jogão de bola, repetindo o espetáculo dado na final da última Liga dos Campeões. Na próxima sexta-feira (2), o Bayern entra em campo para defender o título que reconquistou na temporada passada, depois de ter visto o Dortmund ser bicampeão. Embora a Bundesliga, modelo de divisão isonômica das receitas televisivas, seja o campeonato nacional mais equilibrado da Europa (foram cinco campeões nos últimos dez anos), certamente Bayern e Dortmund, bases da seleção alemã, deverão brigar pela salva de prata.

Favoritos

Bayern de Munique
Estamos diante da nova força hegemônica do futebol europeu? Essa é a pergunta que o clube bávaro começará a responder na temporada 2013/14. Depois de ganhar a tríplice coroa em 2012/13 - campeonato, copa e Liga dos Campeões - o Bayern inicia a época sob os holofotes. Base da seleção alemã, com oito jogadores no time nacional, o Bayern não se deu por satisfeito e bateu a cláusula de rescisão de Mario Götze, ex-Dortmund. 37 milhões de Euros (R$ 112 milhões) para tirar um dos melhores jogadores do rival. Os bávaros ainda contrataram Thiago Alcântara ao Barcelona por 25 milhões de Euros (R$ 76 milhões) e o jovem alemão Jan Kirchhoff (de graça). Ahh! Essa constelação será treinada por Pep Guardiola.

Borussia Dortmund
Se tem um clube capaz de fazer frente ao poder do Bayern de Munique na Bundesliga, é o Dortmund. E a equipe aurinegra já mostrou isso no dia 27 de julho, quando bateu os bávaros por 4 a 2 na decisão da Supercopa alemã. Embora tenha sofrido uma perda considerável com a saída de Mario Götze, o Dortmund manteve a base do time, segurando os cinco jogadores que formam a base da seleção alemã (Roman Weidenfeller, Mats Hummels, Marcel Schmelzer, Ilkay Gündoğan e Marco Reus), além do centroavante polonês Lewandowski, que chegou a ser pretendido pelo Barcelona. A equipe de Jürgen Klopp ainda contrtatou três reforços, dos quais se destaca o atacante armênio Henrikh Mkhitaryan, que custou 30 milhões de Euros.




Juventus
atual campeão

Vai haver briga pelo título?
Maior campeã nacional, com 29 títulos no total (tendo perdido dois em punição judicial), a Juventus conquistou o bicampeonato sem muitas dificuldades (invicto em 2011/12 e com nove pontos de vantagem em 2012/13). Depois de ter passado pela Serie B, também como parte da punição, a Vecchia Signora se recompôs e voltou a mostrar sua força no futebol italiano. Para a temporada 2013/14, a expectativa é de uma briga maior pelo Scudetto. Além do tradicional rival, Milan, o Napoli surge como forte competidor pelo título deste ano. Atual vice-campeão, o clube do Sul do país tem se reforçado bastante. O renomado cineasta Aurelio De Laurentiis, dono do Napoli, alimenta o sonho de levar o time de volta ao topo do futebol nacional. Há dois anos, conquistou a Copa da Itália, sobre a Juventus. Mas o campeonato não vem desde 1989/1990, quando ainda tinha Maradona como astro. Pode ser esse ano.

Favoritos

Juventus
A base bicampeã italiana foi mantida. E a Vecchia Signora ainda foi em busca de reforços para o elenco. “A Juventus é favorita. Contrataram jogadores importantes como Tevez, Llorente e Ogbonna. Sabemos que vai ser ainda mais difícil do que na época passada”, disse o técnico do Milan, Massimo Allegri ao analisar quais times brigariam pelo título. Claro que a estratégia de Allegri foi tirar toda a responsabilidade de sua equipe e, principalmente, pressionar a Juve, colocando para ela uma obrigação de ser campeã. Porém, é inegável que um elenco que já era forte e que tem, só para o ataque, as chegadas de Carlos Tevez (contratado ao Manchester City por 12 milhões de Euros) e Llorente (da seleção espanhola) tem que ser respeitado.

Napoli
Guiado por Maradona, o clube viveu seu apogeu nos anos 1980, conquistando dois Scudetti, uma Copa Itália e uma Copa da UEFA. Após a saída do astro argentino, o time nunca mais foi o mesmo. Caiu para a Serie B algumas vezes. Acumulou dívidas e foi à falência. Graças a Aurelio De Laurentiis, ressurgiu. Desde a Serie C1 até retornar à elite. Para 2013/14, De Laurentiis não tem medido esforços para brigar diretamente com a Juve. Já gastou 58 milhões de Euros (R$ 177 milhões) em contratações. Do Real Madrid vieram Gonzalo Higuaín, Albiol e Callejón, além dos goleiros Pepe Reina (ex-Liverpool) e Rafael (ex-Santos). O time ainda tenta fechar com Arbeloa (Real Madrid) e pode pagar até 40 milhões de Euros por Jackson Martínez, do Porto.




Porto
atual campeão

Mais um tetra a caminho?

Por muitos anos, o Porto sofreu com a síndrome do tricampeonato. O maior rival havia conquistado vários tricampeonatos entre os anos 1960 e 1970. O Sporting fora tetra nos anos 1950. O clube nortenho, entretanto, não conseguia passar do bi. Isso acabou nos anos 1990. E o tri da temporada 1996/97 logo deixou de ser um feito histórico, pois foi sucedido pelo tetra em 1997/98 e pelo penta, em 1998/99. Depois disso, os azuis e brancos voltaram a se sagrar tetracampeões entre 2006 e 2009. Hegemônicos em Portugal, tendo conquistado 20 dos últimos 30 campeonatos, os Dragões são os atuais tricampeões portugueses e partem para a temporada 2013/14 com o objetivo bem definido: juntar mais um tetra à galeria de troféus, para embelezar o seu novo museu que será inaugurado em setembro. Só um clube pode ameaçar a hegemonia azul e branca. O eterno rival Benfica, vice-campeão nos últimos três anos.

Favoritos

Porto
O treinador Vitor Pereira, que comandou o time nos últimos dois títulos nacionais (o mais recente de forma invicta), deu lugar ao promissor Paulo Fonseca, que conquistou o feito histórico de levar o Paços de Ferreira à Liga dos Campeões. O novo técnico não contará com os meias João Moutinho e James Rodríguez, que foram para o Mônaco. E ainda poderá ver o artilheiro Jackson Martínez sair. Em compensação, o Porto contratou mais jovens promessas latino-americanas, como os mexicanos campeões olímpicos Héctor Herrera e Diego Reyes e o meia colombiano Juan Quintero, eleito o melhor jogador do Mundial Sub-20 de 2013. Além deles, os Dragões ainda correm atrás de Bernard, do Atlético-MG.

Benfica
Longe vão os tempos em que o Benfica era o senhor do futebol luso. O período áureo do clube ficou para trás, pelos idos dos anos 1960 e primeira metade dos anos 1970. Desde então, os encarnados viram os rivais do Norte assumirem o protagonismo. Fato que incomoda o orgulho de quem se acostumou a ser tratado como o clube de referência em Portugal. Os dois últimos campeonatos foram traumáticos. Os lisboetas lideraram boa parte do segundo turno, mas foram ultrapassados pelos azuis e brancos nas retas finais. Para tentar impedir mais um tetra do Porto, o Benfica foi ao Leste europeu contratar uma legião de sérvios. São quatro: Lazar Markovic, Uros Matic, Stefan Mitrovic e Miralem Sulejmani. Jorge Jesus continua como técnico.


quarta-feira, 24 de julho de 2013

Para o adiante: a ânsia por se transformar em história

Esta noite o Atlético-MG joga a partida mais importante de sua história. 90 minutos separam o Galo da glória ou da decepção. Usei como inspiração o meu saudoso avô, Waldimir Maia Leite, no texto que escrevi sobre a busca implacável do Atlético-MG pelo inédito título da Copa Libertadores. Para o adiante, Clube Atlético Mineiro.

“Para o adiante, o inevitável prosseguir, pleno de incertezas”, lembrando as palavras do poeta pernambucano Waldimir Maia Leite, o Atlético-MG se encontra diante de seu momento de incertezas, em que é inevitável não prosseguir para o adiante. De sua própria história. Até aqui, 13 jogos. 1170 minutos de bola rolando. Uma emocionante decisão por pênaltis e uma defesa histórica do goleiro Victor pelo meio desses passos que já foram dados. Às 21h50 desta quarta-feira, quando pisarem o gramado do reformulado Mineirão, os jogadores do Galo estarão a um passo da história. 90 minutos. Lapso temporal que há de ser sentido como o sentir de uma vida inteira. É o tempo que separa o Galo da glória. Ou da decepção. “Para o adiante, extensão de querer ser, constituir, permanecer. Vão os passos para o adiante”, para cima do Olimpia, o rei de copas paraguaio. “Para o depois, isto: o ser futuro, nascer. Quanto vale a eternidade?”. É o que Ronaldinho, Bernard, Jô, Victor e companhia hão de responder.

O time mineiro, contudo, tem um desfalque de peso. Devido ao regulamento da competição, o Galo não poderá atuar no alçapão do Independência, espécie de amuleto da equipe. Para entender a importância da relação do Atlético-MG com o estádio, basta ver os números. Em 2013, foram 15 jogos no Independência. 13 vitórias e dois empates. Em compensação, no novo Mineirão, palco da grande decisão, o alvinegro mineiro disputou três partidas este ano. Apenas uma vitória, contra o Villa Nova. E duas derrotas. Ambas como visitante, por 2 a 1, para o rival Cruzeiro. Entretanto, os comandados de Cuca se apegam a um outro dado. A invencibilidade como mandante. Desde novembro de 2011 o Galo não sabe o que é perder quando manda uma partida. Ao todo, 53 jogos imbatíveis.

Precisando inverter uma desvantagem de 2 a 0, Cuca contará com um reforço significativo. O jovem Bernard, que deverá fazer sua despedida do clube, volta a estar disponível. Após cumprir suspensão na partida de ida - e ter feito muita falta ao time - Bernard retorna para recompor o quarteto ofensivo do Galo com Ronaldinho, Diego Tardelli e Jô. “Em todas as situações da vida tem um lado positivo e negativo. Temos o lado positivo no Independência de nunca ter perdido. E aqui no Mineirão, é o público maior e a pressão maior. Mas eu não vivo de superstição. O que está escrito, vai acontecer e nada vai mudar”, disse. Se está escrito ou não, depende da crença de cada um. Mas uma coisa é certa. Como preconizou o poeta pernambucano, “para a frente todos os aconteceres: sempre para o adiante. Não ficar, desesperadamente sair como quem se despede para nunca mais”. Ou para a eternidade.

Estádio lotado
A expectativa de público é de 60 mil pagantes e a renda pode ultrapassar os R$ 8 milhões. Dessa forma, seria o maior público do Mineirão depois da reforma para a Copa do Mundo. Superaria o confronto entre Brasil e Uruguai, que teve 57.783 pagantes, pela Copa das Confederações.


O rei de copas

Não é por acaso que o Olimpia é chamado no Paraguai de “rei de copas”. O clube alvinegro já conquistou a maior competição do continente três vezes (1979, 1990 e 2002). Esta decisão frente ao Atlético-MG é nada menos que a sétima final de Libertadores do gigante paraguaio, que pode escrever seu nome no rol de glórias da competição. Está a uma partida de ser o primeiro clube da história a conquistar o torneio em quatro décadas diferentes. E um trunfo. Seus três títulos foram obtidos na condição de visitante. Assim como o Olimpia jogará na noite de hoje.

Ao Galo, resta a expectativa de repetir o que outro Atlético já fez uma vez. Em 1989, o Olimpia venceu o Atlético de Medellín por 2 a 0 na partida de ida. No jogo de volta, na Colômbia, o Atlético bateu os paraguaios, também por 2 a 0. Nos pênaltis, os colombianos foram mais felizes - 5 a 4 - e ficaram com a taça.

Se for campeão, o Olimpia se junta ao Estudiantes (ARG) como o quarto maior conquistador das Américas, deixando para trás o Nacional (URU) e os brasileiros São Paulo e Santos, que têm três títulos.

As finais do Olimpia

1960 - Peñarol campeão

Peñarol 1x0 Olimpia
Olimpia 1x1 Peñarol

1979 - Olimpia campeão

Olimpia 2x0 Boca Juniors
Boca Juniors 0x0 Olimpia

1989 - Atlético de Medellín campeão

Olimpia 2x0 Atlético de Medellín
Atlético de Medellín 2x0 Olimpia (Atlético de Medellín 5x4 nos pênaltis)

1990 - Olimpia campeão

Olimpia 2x0 Barcelona de Guayaquil
Barcelona de Guayaquil 1x1 Olimpia

1991 - Colo-Colo campeão

Olimpia 0x0 Colo-Colo
Colo-Colo 3x0 Olimpia

2002 - Olimpia campeão

Olimpia 0x1 São Caetano
São Caetano 1x2 Olimpia (Olimpia 4x2 nos pênaltis)

Invencibilidade do Atlético-MG como mandante

53
jogos

42
vitórias

11
empates

124
gols marcados

37
gols sofridos

Atlético-MG no novo Mineirão

03/02/2013 Cruzeiro 2x1 Atlético-MG
21/04/2013 Atlético-MG 2x1 Villa Nova
19/05/2013 Cruzeiro 2x1 Atlético-MG

3
jogos

1
vitória

2
derrotas

4
gols marcados

5
gols sofridos

Ficha técnica

Atlético-MG: Victor; Michel (Rosinei), Rafael Marques, Gilberto Silva e Júnior César; Pierre, Josué e Ronaldinho; Bernard, Diego Tardelli e Jô. Técnico: Cuca.

Olimpia: Martín Silva; Julio Manzur, Herminio Miranda e Salustiano Candia; Nelson Benítez, Mazacotte, Eduardo Aranda, Wilson Pittoni e Alejandro Silva; Fredy Bareiro e Juan Manuel Salgueiro. Técnico: Ever Hugo Almeida.

Local: Estádio Mineirão (Belo Horizonte). Hora: 21h50. Árbitro: Wilmar Roldan (COL). Assistentes: Humberto Clavijo (COL) e Eduardo Ruiz (COL).

quarta-feira, 10 de julho de 2013

O sonho comanda a vida

Dentro de instantes o Atlético-MG entra em campo pelo jogo de volta da semifinal da Copa Libertadores da América. O Galo precisa inverter um resultado de 2 a 0 sofrido na partida de ida. Difícil, porém não impossível. E os atleticanos sonham com a primeira participação na final da maior competição de clubes das Américas. Escrevi assim para a edição desta quarta-feira (10) do SuperEsportes.

O sonho comanda a vida

“Eles não sabem que o sonho é uma constante da vida, tão concreta e definida como outra coisa qualquer.” A maioria dos torcedores do Atlético-MG provavelmente não deve conhecer o poema Pedra Filosofal, do português António Gedeão. Desde que o arbitro Enrique Osses apitou, na quarta-feira da semana passada, o fim de Newell’s Old Boys 2 a 0 Galo (na partida de ida da semifinal da Copa Libertadores), entretanto, a massa alvinegra vive em função de um sonho. Agarrando-se a um fio de esperança, vivencia na prática o que o poeta lusitano proclamara: “Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida.” E o técnico Cuca deixou isso bem claro, ao expressar o sonho atleticano. “Yes, we CAM”, era a mensagem que se lia na camisa do treinador na vitória do Galo por 3 a 2 sobre o Criciúma, pelo Brasileirão. Eis que chegou o momento decisivo. Às 21h50, no estádio Independência, o Atlético encara o Newell’s precisando inverter o resultado adverso, para ir à final da Libertadores.

Para impedir que o sonho se transforme em pesadelo e a tão esperada participação na final - em busca de um título inédito em sua história, mas que o rival Cruzeiro já celebrou duas vezes - seja adiada, o Atlético-MG conta com um trunfo. Jogar dentro de casa. Desde novembro de 2011 o Galo não sabe o que é perder na condição de mandante. Ao todo, são 52 jogos de invencibilidade. Nessa sequência, o Galo conseguiu 22 vezes os resultados que precisa obter hoje. Foram 14 vitórias por três ou mais gols de diferença e outras oito por 2 a 0 (que levaria a decisão para os pênaltis). Em 2013, atuando no Independência, o alvinegro venceu, em 14 partidas, por pelo menos três gols de diferença em oito delas, ou seja, 57% das vezes.

A estatística ajuda a alimentar o sonho. A comandar a esperança da torcida do Galo. Contudo, o time necessita apresentar evolução técnica em relação às últimas apresentações. Nas quartas de fial da Libertadores, por exemplo, o Atlético só não foi eliminado pelo Tijuana graças a uma intervenção história do goleiro Victor, que defendeu um pênalti nos acréscimos. Cientes disso, os jogadores do Galo prometem partir para cima dos argentinos nos minutos iniciais. “O pensamento é conseguir fazer o primeiro gol em 20 minutos, mas o jogo tem 90. É paciência, e pressão desde começo”, afirmou o centroavante Jô.

Newell’s atrasou chegada a Belo Horizonte

Ao contrário do que é protocolar em partidas de competições internacionais, o time argentino não fez questão de realizar o treinamento de reconhecimento do gramado do estádio Independência. Na realidade, o Newell’s Old Boys optou por somente viajar para Belo Horizonte na tarde de ontem, após treinar  e almoçar ainda em Rosario.

Ficha técnica

Atlético-MG: Victor; Marcos Rocha, Rafael Marques, Gilberto Silva e Richarlyson; Pierre, Josué e Ronaldinho; Bernard, Diego Tardelli e Jô. Técnico: Cuca.

Newell’s Old Boys: Nahuel Guzmán; Marcos Cáceres, Santiago Vergini, Gabriel Heinze e Milton Casco; Lucas Bernardi, Diego Mateo e Rinaldo Cruzado; Víctor Figueroa, Ignacio Scocco e Maximiliano Rodríguez. Técnico: Gerardo Martino.

Local: Estádio Independência (Belo Horizonte). Hora: 21h50. Árbitro: Roberto Silvera (URU). Assistentes: Miguel Nievas (URU) e Carlos Pastorino (URU).

Invencibilidade como mandante

52
jogos

41
vitórias

11
empates

122
gols marcados

37
gols sofridos
Jogos no Independência em 2013
Atlético-MG 2 x 1 São Paulo (Libertadores)
Atlético-MG 3 x 0 Araxá (Mineiro)*
Atlético-MG 3 x 1 Guarani (Mineiro)
Atlético-MG 2 x 1 The Strongest-BOL (Libertadores)
Atlético-MG 5 x 2 América-MG (Mineiro)*
Atlético-MG 4 x 1 Tupi (Mineiro)*
Atlético-MG 5 x 2 Arsenal-ARG (Libertadores)*
Atlético-MG 4 x 0 Boa Esporte (Mineiro)*
Atlético-MG 5 x 1 Tombense (Mineiro)*
Atlético-MG 4 x 1 São Paulo (Libertadores)*
Atlético-MG 3 x 0 Cruzeiro (Mineiro)*
Atlético-MG 1 x 1 Tijuana-MEX (Libertadores)
Atlético-MG 0 x 0 São Paulo (Brasileirão)
Atlético-MG 3x2 Criciúma (Brasileirão)
*57%
percentual de vitórias por pelo menos três gols de diferença

sábado, 25 de maio de 2013

O futebol é o grande campeão

Bayern de Munique e Borussia Dortmund fazem a final da Liga dos Campeões às 15h45 de hoje, no estádio de Wembley, em Londres. Independentemente de qual time levantar o troféu, o grande campeão é o futebol. Premiado com uma final alemã, fazendo justiça à organização e ao controle financeiro da Bundesliga, um exemplo para o mundo futebolístico.

O estádio de Wembley, em Londres, foi escolhido como palco da final da Liga dos Campeões da temporada 2012/13 como uma homenagem da UEFA à Football Association (FA), primeira associação de futebol do mundo. Contudo, no ano em que a Federação Inglesa celebra 150 anos de existência, o mítico estádio britânico sediará uma festa do futebol alemão. Bayern de Munique e Borussia Dortmund disputam, a partir das 15h45, o título europeu. Esta será a quarta decisão entre clubes do mesmo país. Entretanto, independentemente do campeão, Wembley será palco da celebração da vitória do futebol. Do esporte em sua essência. De uma liga de futebol organizada e financeiramente equilibrada. A consagração da busca pela competitividade em respeito ao tão proclamado, porém pouco respeitado, espírito esportivo.

Para chegarem à grande decisão de hoje, Bayern e Dortmund atropelaram a dupla de ferro espanhola Barcelona e Real Madrid nas semifinais. Os bávaros aplicaram duas goleadas: 4 a 0 na partida de ida, na Allianz Arena; e 3 a 0 em pleno Camp Nou, fazendo cair, definitivamente, a imagem de melhor time do mundo da atual geração catalã. O Dortmund também goleou na partida de ida, em casa, fazendo 4 a 1, com show do atacante polonês Lewandowski. Na volta, no Bernabéu, os alemães perderam por 2 a 0, com dois gols marcados já na segunda metade do segundo tempo, muito mais pela pressão momentânea do que pela construção coletiva do futebol merengue, que não existiu em toda a eliminatória.

Além do passeio na fase semifinal, os dois clubes realizaram sólidas campanhas ao longo de toda a Liga dos Campeões. O Bayern foi líder do grupo F, com quatro vitórias, um empate e uma derrota. Depois, eliminou Arsenal e Juventus, antes de massacrar o Barcelona. Já o Dortmund, venceu invicto o grupo D, o chamado grupo da morte que tinha Real Madrid, Manchester City e Ajax, a única chave que tinha quatro campeões - foram quatro vitórias e dois empates. Nos mata-matas, derrubou Shakhtar Donetsk e Málaga, antes de voltar a se dar melhor sobre o Real Madrid.

A expectativa para a final é de uma grande partida entre as duas maiores forças do futebol germânico. Bayern e Dortmund são a base da atual seleção alemã. Dos 23 jogadores, oito são do Bayern e seis do Dortmund: Neuer, Lahm, Badstuber, Boateng, Schweinsteiger, Toni Kroos, Mario Gomez, Thomas Müller, Weidenfeller, Mats Hummels, Schmelzer, Gündoğan e Marco Reus. Mario Götze, que trocará os aurinegros pelos bávaros ao final da temporada, não jogará por estar lesionado. Além deles, estrelas como o francês Ribéry, o holandês Robben e o polonês Lewandowski são nomes que abrilhantam ainda mais a decisão europeia.

Confrontos
Bayern e Dortmund têm rivalizado pelo topo da Bundesliga. Nos últimos quatro anos, cada um conquistou dois títulos nacionais. Os bávaros ganharam o campeonato deste ano, 25 pontos à frente do aurinegro, vice-campeão. No histórico dos 100 confrontos, o Bayern tem vantagem de 19 vitórias a mais. Nas últimas cinco temporadas, o equilíbrio prevalece, com cinco vitórias para cada lado, em 13 partidas. Entretanto, na atual temporada, o Dortmund ainda não venceu o Bayern. Quatro jogos, duas vitórias bávaras e dois empates.

Histórico
100 jogos
45 vitórias do Bayern
26 vitórias do Dortmund
29 empates

Últimos 5 anos
13 jogos
5 vitórias do Bayern
5 vitórias do Dortmund
3 empates

Títulos de Liga dos Campeões
4 Bayern
1 Dortmund

Os brasileiros na final
Ao contrário de outras edições, a final da Liga dos Campeões deste ano não terá um brasileiro como estrela ou uma das principais atrações. Quatro brasileiros compõem os elencos dos dois times. Três no Bayern e um no Dortmund.

Dante O zagueiro é pouco conhecido no Brasil. Jogou entre 2002 e 2003 no Juventude e saiu para o Lille, da França. Nos últimos 10 anos fez carreira na Europa. Chegou ao Bayern em 2012 e se destacou, chegando à Seleção Brasileira e disputará a Copa das Confederações.

Luiz Gustavo Iniciou sua trajetória no Corinthians Alagoano e atuou pelo CRB antes de partir para o Hoffenheim (ALE) em 2007. No Bayer desde 2011, o volante não é titular absoluto, porém é utilizado com frequência. Também vai jogar pela Seleção na Copa das Confederações.

Rafinha O paranaense Rafinha começou profissionalmente no Coritiba. Saiu do Coxa em 2005, para o Schalke (ALE), onde foi ídolo. Após breve passagem pelo Genoa, da Itália, voltou para a Alemanha, em 2010, para vestir a camisa do Bayern, onde está até hoje.

Felipe Santana Como os brasileiros do rival na final, o zagueiro também saiu do Brasil sem fazer muito sucesso. Em 2008 trocou o Figueirense pelo Dortmund. Foi peça fundamental na campanha deste ano, ao marcar o gol salvador frente ao Málaga, nas oitavas de final.

As finais entre times dos mesmos países
A final alemã será a quarta da história da Liga dos Campeões envolvendo clubes dos mesmos países. Antes, Espanha (2000), Itália (2003) e Inglaterra (2008) já tinham decidido a principal competição de clubes do Velho Continente.

1999/2000 - Real Madrid 3 a 0 Valência
Real Madrid e Valência não eram os detetores do título de campeão espanhol. Porém chegaram à final da Liga dos Campeões, decidida no estádio Stade de France, em Paris. Treinado por Vicente del Bosque, atual treinador da campeã mundial Espanha, o Real Madrid não tomou conhecimento do Valência, vencendo por 3 a 0, com gols de Morientes, McManaman e Raúl. Este foi o nono título continental do gigante branco da Espanha.

2002/03 - Milan 0 a 0 Juventus (Milan 3 a 2 nos pênaltis)
Na edição 2002/03 da prova rainha europeia, a Itália colocou três times nas semifinais da Liga dos Campeões. A Inter de Milão foi batida pelo seu grande rival, Milan. A decisão ocorreu no estádio de Old Trafford, em Manchester e foi um jogo morno, com os dois times mais preocupados em se defender. Com o 0 a 0 prevalecendo mesmo depois da prorrogação, o Milan venceu na decisão de pênaltis por 3 a 2, conquistando, na altura, seu sexto troféu.

2007/08 - Manchester United 1 a 1 Chelsea (United 6 a 5 nos pênaltis)
Mais uma vez, a semifinal contou com três equipes do mesmo país. Desta vez, foi a Inglaterra. O eliminado foi o Liverpool, suplantado pelo Chelsea. Na decisão, em Moscou, Cristiano Ronaldo e Frank Lampard marcaram os gols do empate de 1 a 1. Resultado que permanceu até o apito final, levando a decisão para as grandes penalidades. Nos pênaltis, o escorregão de John Terry salvou Ronaldo, que havia falhado sua cobrança. Anelka falhou o último pênalti.

Todas as decisões de Liga dos Campeões disputadas em Wembley
Bayern de Munique x Borussia Dortmund será a sétima final da história do estádio de Wembley. confira as seis finais anteriores.

1963: Milan (ITA) 2 x 1 Benfica (POR)
1968: Manchester United (ING) 4 x 1 Benfica (POR)
1971: Ajax (HOL) 2 x 0 Panathinaikos (GRE)
1978: Liverpool (ING) 1 x 0 Club Brugge (BEL)
1992: Barcelona (ESP) 1 x 0 Sampdoria (ITA)

2011: Barcelona (ESP) 3 x 1 Manchester United (ING)

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Mania de ganhar


“Ai estes são os filhos do dragão, unidos para vencer. Orgulhosos por fazer deste Porto campeão”. É desta forma que termina uma das mais emblemáticas canções de apoio ao Porto, Filhos do Dragão. Ontem, após a vitória de XXX sobre o Paços de Ferreira, a nação portista celebrou, orgulhosa de seu clube, mais um título de campeão português. Tricampeão. Invicto. E como eternizou a canção, ninguém pode quebrar este vício de ganhar. E que vício! Nos últimos 30 anos, esta foi a 20ª vez que os portistas saíram às ruas para comemorarem a conquista do campeonato nacional. A épica reviravolta, alcançada apenas a duas rodadas do final e aos 46 minutos do segundo tempo do clássico frente ao eterno rival, jamais será esquecida pelos filhos do Dragão.

Com a conquista, o time azul e branco consolidou ainda mais sua hegemonia no futebol português. A mudança de paradigma em Portugal teve início com a queda do regime fascista, em 1974. A consolidação do sistema democrático viu surgir uma força emergente no Norte, rompendo o centralismo da capital lusitana. E esta força firmou seus alicerces nas últimas três décadas. 20 títulos em 30 campeonatos disputados. Em média, o Porto se sagrou campeão português duas vezes a cada três anos. Dois terços dos títulos foram parar nas galerias de troféus do Dragão. Relegando a Benfica (7), Sporting (2) e Boavista (1), o terço restante.

Para chegar aos tricampeonato, o Porto disputou 90 partidas. Sofreu apenas uma derrota. Foi campeão invicto duas vezes. Na temporada 2010/11, que abriu o caminho do tri. E agora, na época 2012/13. Assim, os azuis e brancos se tornam o clube português mais vezes campeão invicto, deixando o rival Benfica para trás também nesta estatística. A única derrota portista, na trajetória do tri, aconteceu em 29 de janeiro de 2012, pela 17ª rodada da temporada 2011/12. O Gil Vicente fez 3 a 1 no Porto. No total, foram 74 vitórias, 15 empates e a solitária derrota diante de um improvável adversário.

O contestado treinador Vitor Pereira, que dificilmente terá seu contrato renovado, junta-se a um rol de honra de técnicos bicampeões com o Porto. Oitavo bicampeão, Pereira coloca seu nome ao lado de figuras históricas como José Maria Pedroto, Artur Jorge, Sir Bobby Robson e José Mourinho. Com mais títulos, apenas dois treinadores: Artur Jorge (1984/85, 1985/86 e 1989/90) e Jesualdo Ferreira, o único campeão por três anos seguidos - 2006/07, 2007/08 e 2009/10.

Dentro das quatro linhas, os destaques vão para o trio de meio-campo. Formado pelo volante brasileiro Fernando, apelidado de “polvo” pelos torcedores. O português João Moutinho, motor e cérebro do time. E o capitão, “El Comandante” Lucho González, símbolo do que chamam de mística portista. Além deles, a dupla ofensiva colombiana. O jovem e promissor James Rodríguez e o centroavante matador Jackson Martínez, que, em seu primeiro ano de clube, soma a artilharia do campeonato ao título nacional.

Sempre campeão
Lucho González chegou ao Porto em 2005, vindo do River Plate. Logo caiu nas graças da torcida portista, com sua técnica acima da média e seu vigor físico, que o permitia exercer bem a função defensiva no meio-campo e chegar como elemento surpresa no ataque. Em sua primeira passagem, foram quatro anos de clube e quatro campeonatos. Saiu, meio que a contragosto, para o Olympique Marseille em 2009. Em janeiro de 2012, pediu aos franceses para voltar ao Porto. Rescindiu o contrato. Retornou a custo zero. Os azuis e brancos passavam por fase conturbada no campeonato. Cinco pontos atrás do Benfica. Lucho González comandou o clube na conquista do bicampeonato. E agora no tri.

6 campeonatos disputados
6 títulos conquistados

Campeões, só no Porto
O time do Porto tem um quarteto de jogadores que, antes de se mudarem para a cidade invicta, jogaram no rival Sporting. Mas todos eles só sentiram o gostinho do título português depois que trocaram a camisa verde e branca pela azul e branca.

João Moutinho Revelado pelo Sporting, João Moutinho chegou a ser capitão dos Leões. Foram seis anos em Alvalade. Nenhum título português. Em três anos de Porto, chega ao tricampeonato.

Liedson O “Levezinho” foi artilheiro e ídolo no Sporting. Teve tanto destaque que se naturalizou português e atuou pela seleção lusitana. Porém, passou em branco nos oito anos em que esteve no clube lisboeta. Em seis meses de Porto, finalmente conquistou o título nacional.

Marat Ismaylov O meia russo jogou por cinco anos e meio no Sporting. Em janeiro de 2013 se transferiu para o Dragão. Se em Lisboa nunca chegou perto de ser campeão português, no Porto repete Liedson e celebra o título em seis meses de clube.

Varela Quase não atuou pelo time principal do Sporting. Mas é cria das categorias de base que já revelou Luís Figo, Cristiano Ronaldo e Nani. Não foi campeão em Alvalade. No Porto, é tricampeão em quatro temporadas.

Campeões portugueses

Benfica 32
Porto 27
Sporting 18
Boavista 1
Belenenses 1

Nos últimos 30 anos

Porto 20
Benfica 7
Sporting 2
Boavista 1