sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A França dos milhões

No mesmo horário em que se inicia a Bundesliga 2013/14, o atual campeão francês, PSG, estreia na Ligue 1 diante do Montpellier. A edição de hoje do Superesportes também destaca o campeonato francês e mostra as diferenças entre as ligas da França e da Alemanha. O Conversas Futebolísticas publica o texto sem edição.

Se a Bundesliga é o campeonato alemão dos alemães, embora seja uma competição recheada de estrelas estrangeiras, a Ligue 1 representa exatamente o oposto. O campeonato francês da temporada 2013/14 será marcado, principalmente, pelos milhões. Muitos milhões de Euros. Enquanto oito dos 11 habituais titulares da seleção alemã atuam na Bundesliga, a proporção da Ligue 1 é inversa: apenas três dos titulares da França atuam em seu país. Franck Ribéry, principal jogador da atual seleção francesa, pertence ao Bayern de Munique e brilha em campos germânicos. Karim Benzema, o centroavante titular francês, veste a camisa do Real Madrid. Até mesmo os milhões injetados na liga francesa vêm de fora. Qatar e Rússia. São as fontes de renda de Paris Saint-Germain e Monaco, respectivamente.

Hoje, na abertura do campeonato, o atual campeão PSG vai a Montpellier enfrentar o time local. Ironicamente, o clube do Xeque Nasser Al-Ghanim Khelaïfi tem pela frente aquele pode ter sido o último beneficiário do equilíbrio que imperava na liga francesa. O modesto Montpellier foi campeão na temporada 2011/12, batendo um já milionário PSG.

Em 30 anos, o campeonato francês teve dez campeões diferentes. Feito inigualável dentre as principais ligas nacionais europeias. Essa realidade, contudo, deverá ficar no passado. Juntos, PSG e Monaco gastaram € 257,1 milhões em contratações para a temporada 2013/14. Em comparação com a Bundesliga, são € 42,1 milhões a mais que todos os 18 clubes da primeira divisão alemã.

O técnico do Monaco, o italiano Claudio Ranieri afirmou que o objetivo de seu time é ficar entre os três primeiros, alegando que “há momentos onde o mais importante é trabalhar e estamos a construir uma equipe", tirando de seus ombros o peso da responsabilidade de ser, potencialmente, o único clube capaz de fazer frente ao campeão PSG.

Apesar do discurso humilde de Ranieri. na França dos milhões, o título, fatalmente ficará entre os clubes do Xeque Nasser Al-Ghanim ou do bilionário russo Dmitry Rybolovlev.

Números

13
jogadores da seleção alemã atuam na Ligue 1

244
jogadores estrangeiros

44%
percentual de estrangeiros na Ligue 1

153
jogadores que atuam por seleções

20 de 20
clubes com jogadores de seleções

25 anos
média de idade dos jogadores

€ 319 milhões
valor gasto pelos 20 clubes da Ligue 1 em contratações

€ 146,2 milhões
valor gasto pelo Monaco em contratações

€ 110,9 milhões
valor gasto pelo PSG em contratações

€ 64 milhões
maior transferência da Ligue 1 2013/14, pagos pelo PSG por Cavani

1ª rodada

09/08
15h30 Montpellier x PSG
10/08
16h Bordeaux x Monaco
16h Evian x Sochaux
16h Lille x Lorient
16h Lyon x Nice
16h Nantes x Bastia
16h Stade Rennais x Stade de Reims
16h Valenciennes x Toulouse
11/08
12h Ajaccio x Saint-Etienne
16h Guingamp x Olympique de Marselha

Maiores campeões

Saint-Etienne    10
Olympique de Marserlha    9
Nantes    8
Monaco    7
Lyon    7

Seleção Francesa e a Copa do Mundo
O sorteio das Eliminatórias não foi feliz para a França. Ter que encarar a campeã do mundo, Espanha, em um grupo de onde apenas o primeiro se classifica de forma direta não é fácil. Contra os espanhóis, os Bleus empataram fora de casa, mas perderam diante de sua torcida. A não ser que ocorra algo inesperado, os franceses ficarão em segundo no grupo I e terão que disputar a repescagem. Para determinar os confrontos desta fase, será utilizado o ranking da FIFA de outubro. Se fosse hoje, com a Inglaterra em segundo no seu grupo e tendo o ranking de julho como base, a França poderia enfrentar os ingleses ou Portugal. Vida dura pela frente.

Eles vão para a Copa?

Thiago Silva
Considerado por muitos o melhor zagueiro do mundo da atualidade, o capitão da Seleção Brasileira é, naturalmente, nome mais do que certo em 2014. Thiago Silva terá a responsabilidade de comandar a defesa na campanha em busca do hexa.

Falcao Garcia
Seu nome foi inspirado em Falcão, o Rei de Roma. Diferente do ídolo de seu pai, Falcao Garcia se tornou centroavante. E sinônimo de gols. Não por acaso, o Monaco pagou € 60 milhões por ele. É uma das maiores esperanças da Colômbia para fazer uma boa Copa do Mundo.

James Rodríguez
Com 18 anos, foi campeão argentino pelo pequeno Banfield. Aos 19, chegava a Portugal, onde foi tricampeão com o Porto, além de ganhar uma Liga Europa. Com 22, custou € 45 milhões ao Monaco. O meia-atacante colombiano tem tudo para ser um nome de destaque no Mundial.

Zlatan Ibrahimović
Artilheiro do francês em 2012/13, com 30 gols, o centroavante sueco é um dos astros do PSG. Para vir ao Brasil, entretanto, Ibra vai ter que repetir atuações como a que realizou no Alemanha 4x4 Suécia. É que sua seleção ainda corre atrás de uma vaga na repescagem europeia.

Edinson Cavani
Jogador mais caro da história da Ligue 1, o centroavante uruguaio terá que se desdobrar para trazer a Celeste Olímpica ao Brasil. O Uruguai ocupa apenas a quinta posição na Eliminatórias Sul-Americanas e corre o risco de ter que disputar a repescagem com uma seleção asiática.

João Moutinho

Ele é meia-armador, mas também atua com total segurança como segundo volante. Este português é um verdadeiro motor no meio-campo, fazendo a transição ofensiva com grande qualidade. Mas, para estar na Copa, fatalmente terá que passar pela repescagem europeia.

A volta da razão

Hoje, o Bayern de Munique enfrenta o Borussia Mönchengladbach na abertura da Bundesliga 2013/14. A edição de hoje do Superesportes traz uma matéria sobre o campeonato alemão, apresentando números sobre a liga e destacando alguns craques da competição. Publico o texto original, sem edição.

Caetano Veloso escreveu, na canção “Língua”, que "está provado que só possível filosofar em alemão". Exagero por parte do baiano, expoente do tropicalismo? É uma afirmação questionável, sem dúvida. O que não se coloca em questão, contudo, é a capacidade única do planejamento, algo intrínseco à cultura alemã. Em “A ética protestante e o espírito do capitalismo”, o intelectual alemão Max Weber afirmou que o sistema capitalista moderno está diretamente ligado ao avanço do racionalismo. Racionalidade. Organização racional do trabalho e da produção. No futebol, que é, ao mesmo tempo, parte da organização social e representação social, os alemães não poderiam ser diferentes. A decadência dos fins dos anos 1990, levou o futebol alemão à uma mudança estrutural em seu modelo na formação de atletas. Ao fim de uma década de trabalhos, começa a colher seus frutos. A Bundesliga, que se inicia hoje, reúne 17 dos habituais 23 jogadores que atuam na seleção nacional.

Em 2004, a Bundesliga assumiu o controle das negociações dos direitos de transmissão televisiva do campeonato nacional. A falência do até então todo poderoso grupo Kirch serviu de estopim para uma mudança de paradigma na questão financeira. Com as negociações coletivas, as receitas televisivas passaram a ser divididas de forma isonômica entre todos os clubes - 75% para a primeira divisão e 25% para a segunda. Como parte da reformulação do futebol no país, a Bundesliga criou um caderno de encargos, no qual se previa o investimento nas categorias de base. Em quase uma década, os clubes investiram cerca de R$ 1,8 bilhão na formação de atletas.

Como consequência de todo este trabalho, atualmente, Bayern de Munique e Borussia Dortmund - finalistas da última edição da Liga dos Campeões - são a base da seleção alemã. Dos 23 jogadores que compõem o elenco principal, oito são do Bayern e cinco do Dortmund, sendo cinco titulares dos bávaros e três dos aurinegros. No total, 17 atletas atuam no futebol alemão. Reflexo da força da Bundesliga e da renovação do futebol germânico.

Clássico dos anos 1970
Maior e atual campeão alemão, o Bayern de Munique faz o jogo inaugural da competição hoje. O clube agora comandado pelo catalão Pep Guardiola recebe, às 15h30 (horário de Brasília), na Allianz Arena, o Borussia Mönchengladbach. Atualmente intermediário, o M’gladbach foi o grande rival dos bávaros nos anos 1970, tendo, inclusive, conquistado um título nacional alemão a mais no período: 5 x 4. Bayern e M’gladbach foram a base da seleção alemã campeã do Mundo em 1974. Esses tempos, porém, ficaram no passado. Para a primeira partida da Bundesliga, não é de se esperar que o Bayern das estrelas Neuer, Lahm, Badstuber, Schweinsteiger, Thomas Müller, Götze, Ribéry e Robben encontre dificuldades para alcançar a vitória.

Números

17
jogadores da seleção alemã atuam na Bundesliga

230
jogadores estrangeiros

45,5%
percentual de estrangeiros na Bundesliga

156
jogadores que atuam por seleções

18 de 18
clubes com jogadores de seleções

24,5 anos
média de idade dos jogadores

€ 215 milhões
valor gasto pelos 18 clubes da Bundesliga em contratações

€ 62 milhões
valor gasto pelo Bayern de Munique em contratações

€ 50 milhões
valor gasto pelo Borussia Dortmund em contratações

€ 37 milhões
maior transferência da Bundesliga 2013/14, pagos pelo Bayern por Götze

1ª rodada

09/08
15h30 Bayern de Munique x Borussia Mönchengladbach
10/08
10h30 Bayer Leverkusen x Freiburg
10h30 Hannover x Wolfsburg
10h30 Hoffenheim x Nürnberg
10h30 Augsburg x Borussia Dortmund
10h30 Hertha Berlim x Frankfurt
13h30 Braunschweig x Werder Bremen
11/08
10h30 Mainz 05 x Stuttgart
12h30 Schalke 04 x Hamburgo

Maiores campeões

Bayern de Munique    23
Nürnberg    9
Borussia Dortmund    8
Hamburgo    7
Schalke 04    7

Seleção Alemã e a Copa do Mundo
A Alemanha pode carimbar seu passaporte para o Brasil já na próxima rodada dupla das Eliminatórias Europeias para a Copa do Mundo de 2014, que acontece em setembro. Líder do grupo C com 16 pontos (cinco vitórias e um empate), a seleção germânica tem cinco pontos de vantagem sobre Áustria, Suécia e Irlanda, que brigam pelo segundo lugar. Se vencer a Áustria e as Ilhas Faroe, nos dias 6 e 10 de setembro, e houver empate no Irlanda x Suécia ou a Irlanda bater a Suécia e depois tropeçar com a Áustria, os alemães se garantem no Mundial com duas rodadas de antecedência.

Eles vão para a Copa?

Manuel Neuer
Um dos melhores goleiros do mundo e com a Alemanha com o passaporte quase carimbado para a Copa, o alemão do Bayern de Munique é figura certa para defender as redes teutônicas pelos estádios brasileiros em 2014.

Philipp Lahmn
O lateral direito de 29 anos é uma das figuras centrais não só do seu time, Bayern de Munique, mas também da seleção alemã. Não por acaso, é capitão de ambas as equipes. Estará no Brasil em 2014.

Arjen Robben
Atual vice-campeã mundial, a Holanda deve ser a única seleção europeia a se garantir matematicamente na Copa do Mundo na rodada do dia 6 de setembro. Garantindo, assim, a presença do ponta direita do Bayern no Brasil.

Franck Ribéry
Se o Bayern ganhou tudo o que disputou na temporada passada, conquistando a inédita tríplice coroa, muito se deve ao talento do ponta esquerdo francês. Mas para ser uma das estrelas da Copa, Ribéry tem que ajudar a França a garantir sua vaga.

Marco Reus
O jovem meia-atacante de 24 anos tem se tornado cada vez mais não apenas destaque do Borussia Dortmund, mas também da seleção alemã. Tendo estreado pela seleção apenas em outubro de 2011, Reus já marcou sete gols em 15 partidas.

Robert Lewandowski

Nome forte do Dortmund, o polonês terá trabalho duro para vir ao Mundial. A Polônia ocupa apenas a quarta posição do grupo H. Os poloneses, entretanto, têm chances, com três confrontos diretos, além de pegarem a fraquíssima San Marino.

domingo, 4 de agosto de 2013

A Europa contra cinco


A partir do próximo fim de semana, a bola começa a rolar nos principais campeonatos nacionais da Europa. Centro das atenções - com os atuais campeão e vice-campeão da Liga dos Campeões - a Bundesliga é a primeira a estrear, com o detentor do título Bayern de Munique entrando em campo no sábado, 9. Uma semana depois, será a vez de portugueses, ingleses e espanhóis darem os pontapés iniciais em suas ligas. Finalmente, no último fim de semana de agosto, inicia-se a Serie A italiana.

Curiosamente, há algo em comum que une as ligas que ocupam o top 5 do ranking de coeficientes das federações da Uefa. Todos os atuais campeões nacionais - Barcelona, Manchester United, Bayern de Munique, Juventus e Porto - são os maiores vencedores de seus campeonatos nos últimos 30 anos. De um lado, os detentores dos títulos, em busca da manutenção de suas hegemonias. Do outro, os grandes rivais, sedentos por conquistas e, acima de tudo, em busca da honra. De agosto a maio, começando no Verão, passando pelo Inverno, e chegando à Primavera. Muito futebol pela frente. Muitos jogos épicos e emocionantes. E uma certeza: cinco alvos a serem abatidos.



Barcelona
atual campeão

Bipolarizado, como já virou habitual
O futebol na Península Ibérica está cada vez mais bipolarizado. Se em Portugal Porto e Benfica são os únicos postulantes ao título, na Espanha a bipolarização fica por conta da dupla de ferro Barcelona e Real Madrid. Com um dos modelos de negociação dos direitos de transmissão de TV mais desiguais que existe no futebol mundial, o campeonato espanhol se viu refém do poder econômico de seus dois gigantes. Nos últimos 30 anos anos, Barça e Real conquistaram 24 títulos, enquanto na última década apenas o Valencia (exatamente há dez anos) se intrometeu e levantou a taça. Para 2013/14, portanto, não é de se esperar nenhuma novidade. O título fatalmente ficará com um dos dois rivais. Enquanto o Barcelona contratou a maior promessa do futebol mundial, o brasileiro Neymar, e o Real Madrid se reforçou com dois jovens promissores espanhóis - Isco e Illarramendi - os demais clubes fizeram contratações modestas.

Favoritos

Barcelona
O que esperar de um time que tem dois dos melhores meias do mundo - Xavi e Iniesta -, além daquele que tem tudo para se tornar o melhor futebolista de todos os tempos (Messi) e ainda contrata a maior promessa do futebol? Pois é. Esta é a questão que todos fazem, desde que o Barça anunciou Neymar como reforço. A dúvida, contudo, não reside apenas em saber como o brasileiro vai se encaixar. O Barcelona passará por uma época de transição. O clube catalão se viu forçado a trocar de treinador. Para o lugar de Tito Vilanova (em tratamento contra um câncer) chega Gerardo Martino. E o argentino “Tata”, como é conhecido, terá, simplesmente, como principal missão fazer com que Messi e Neymar formem uma dupla histórica.

Real Madrid
O principal reforço do Real Madrid se encontra no banco. O clube madrilenho foi a Paris tirar o italiano Carlo Ancelotti do novo-rico PSG, para substituir o português José Mourinho. Ancelotti chega à capital espanhola com a expectativa de conseguir aquilo que “El Especial” fracassara em obter. Retomar o protagonismo no futebol nacional e dar um título europeu ao clube, feito que não alcança desde 2002. Para isso, o experiente treinador conta, principalmente, em ter um bom ambiente interno no grupo, que havia rachado durante a gestão de José Mourinho. Os dois principais reforços para o elenco vieram da Espanha: Isco e Illarramendi. O Real, contudo, ainda pode fazer uma loucura: pagar 92 milhões de Euros por Gareth Bale, do Tottenham.



Manchester United
atual campeão

Manchester contra Londres
É assim que tem se resumido a disputa na Premier League inglesa, o campeonato de futebol de maior faturamento no mundo. Nos últimos 18 anos, apenas clubes de Manchester e Londres têm conquistado o título. E assim deve se manter em 2013/14. A tendência é de que o troféu fique com um clube de uma dessas cidades. Entretanto, há um alvo a ser abatido por todos: Manchester United. Os Red Devils, atuais campeões, conquistaram 13 dos 21 títulos disputados desde que o campeonato inglês passou a se chamar Premier League. Manchester City e Chelsea são os principais concorrentes do United. Enquanto Arsenal e Tottenham correm por fora nessa briga. O tradicional Liverpool deve, mais uma vez, ficar longe dessa disputa.

Favoritos

Manchester United
26 anos e meio depois, os Red Devils entrarão em campo sob o comando de um treinador que não seja a lenda Sir Alex Fergunson. Ao fim desse longo período de serviços prestados, com 13 títulos ingleses, duas Ligas dos Campeões e dois Mundiais de clubes, o escocês se aposentou. Para o seu lugar, outro escocês. David Moyes, que estava há 11 anos no Everton. Moyes terá a difícil missão de manter o clube no topo, com a pressão de suceder uma lenda viva. Por enquanto, o United ainda não anunciou nenhum reforço de peso. O clube tenta, a todo custo, contratar Cesc Fàbregas ao Barcelona. Mas já começa a pensar em alternativas, ante a recusa dos catalães. Já se fala em nomes como Modric (Real Madrid) ou Marchisio (Juventus).

Manchester City
115 milhões de Euros (R$ 350 milhões). Este foi o valor gasto pelo Xeque Mansour bin Zayed Al Nahyan, dono do City, nas quatro contratações para tentar recuperar o título perdido para o rival United na temporada passada. Para o ataque, chegaram Jovetic (ex-Fiorentina) e Negredo (ex-Sevilla); para o meio-campo, o brasileiro Fernandinho (ex-Shakhtar Donetsk) e Jesús Navas (ex-Sevilla). No comando técnico, o argentino Manuel Pellegrini substitui o italiano Roberto Mancini. Embora tenha conquistado o título inglês da temporada 2011/12, Mancini nunca foi unanimidade nos Citizens. Pellegrini, que tem uma passagem apagada pelo Real Madrid em 2009/10, chega credenciado pelo excelente trabalho à frente do Málaga.

Chelsea
Coincidentemente, os três principais postulantes ao título têm novo treinador. No Chelsea, o retorno de um velho conhecido. Insatisfeito em Madri, onde rompeu com parte do elenco do Real e viveu às turras com a imprensa espanhola, José Mourinho volta a Londres, a fim de tentar reassumir o personagem “The Special One”. Reconquistar a Premier League será pouco. E o português sabe disso. Ele chega aos Blues com a obrigação de levar o time ao título da Liga dos Campeões. Sem nenhuma saída significativa no elenco, o Chelsea buscou se reforças com jovens promissores. Foram contratados os meias Cristian Cuevas (chileno de 18 anos) e o holandês Marco van Ginkel (20 anos), além do atacante alemão André Schürrle, 22.




Bayern Munique
atual campeão

Muita atenção aos alemães
A Copa das Confederações pode até ter tirado o foco do futebol mundial. Com a Alemanha de fora da disputa, Brasil e Espanha protagonizaram a competição da Fifa que antecede a Copa do Mundo. E, de alguma forma, o futebol alemão ficou esquecido. Mas Bayern de Munique e Borussia Dortmund já estão de volta. Na disputa da Supercopa alemã, o Dortmund fez 4 a 2 em mais um jogão de bola, repetindo o espetáculo dado na final da última Liga dos Campeões. Na próxima sexta-feira (2), o Bayern entra em campo para defender o título que reconquistou na temporada passada, depois de ter visto o Dortmund ser bicampeão. Embora a Bundesliga, modelo de divisão isonômica das receitas televisivas, seja o campeonato nacional mais equilibrado da Europa (foram cinco campeões nos últimos dez anos), certamente Bayern e Dortmund, bases da seleção alemã, deverão brigar pela salva de prata.

Favoritos

Bayern de Munique
Estamos diante da nova força hegemônica do futebol europeu? Essa é a pergunta que o clube bávaro começará a responder na temporada 2013/14. Depois de ganhar a tríplice coroa em 2012/13 - campeonato, copa e Liga dos Campeões - o Bayern inicia a época sob os holofotes. Base da seleção alemã, com oito jogadores no time nacional, o Bayern não se deu por satisfeito e bateu a cláusula de rescisão de Mario Götze, ex-Dortmund. 37 milhões de Euros (R$ 112 milhões) para tirar um dos melhores jogadores do rival. Os bávaros ainda contrataram Thiago Alcântara ao Barcelona por 25 milhões de Euros (R$ 76 milhões) e o jovem alemão Jan Kirchhoff (de graça). Ahh! Essa constelação será treinada por Pep Guardiola.

Borussia Dortmund
Se tem um clube capaz de fazer frente ao poder do Bayern de Munique na Bundesliga, é o Dortmund. E a equipe aurinegra já mostrou isso no dia 27 de julho, quando bateu os bávaros por 4 a 2 na decisão da Supercopa alemã. Embora tenha sofrido uma perda considerável com a saída de Mario Götze, o Dortmund manteve a base do time, segurando os cinco jogadores que formam a base da seleção alemã (Roman Weidenfeller, Mats Hummels, Marcel Schmelzer, Ilkay Gündoğan e Marco Reus), além do centroavante polonês Lewandowski, que chegou a ser pretendido pelo Barcelona. A equipe de Jürgen Klopp ainda contrtatou três reforços, dos quais se destaca o atacante armênio Henrikh Mkhitaryan, que custou 30 milhões de Euros.




Juventus
atual campeão

Vai haver briga pelo título?
Maior campeã nacional, com 29 títulos no total (tendo perdido dois em punição judicial), a Juventus conquistou o bicampeonato sem muitas dificuldades (invicto em 2011/12 e com nove pontos de vantagem em 2012/13). Depois de ter passado pela Serie B, também como parte da punição, a Vecchia Signora se recompôs e voltou a mostrar sua força no futebol italiano. Para a temporada 2013/14, a expectativa é de uma briga maior pelo Scudetto. Além do tradicional rival, Milan, o Napoli surge como forte competidor pelo título deste ano. Atual vice-campeão, o clube do Sul do país tem se reforçado bastante. O renomado cineasta Aurelio De Laurentiis, dono do Napoli, alimenta o sonho de levar o time de volta ao topo do futebol nacional. Há dois anos, conquistou a Copa da Itália, sobre a Juventus. Mas o campeonato não vem desde 1989/1990, quando ainda tinha Maradona como astro. Pode ser esse ano.

Favoritos

Juventus
A base bicampeã italiana foi mantida. E a Vecchia Signora ainda foi em busca de reforços para o elenco. “A Juventus é favorita. Contrataram jogadores importantes como Tevez, Llorente e Ogbonna. Sabemos que vai ser ainda mais difícil do que na época passada”, disse o técnico do Milan, Massimo Allegri ao analisar quais times brigariam pelo título. Claro que a estratégia de Allegri foi tirar toda a responsabilidade de sua equipe e, principalmente, pressionar a Juve, colocando para ela uma obrigação de ser campeã. Porém, é inegável que um elenco que já era forte e que tem, só para o ataque, as chegadas de Carlos Tevez (contratado ao Manchester City por 12 milhões de Euros) e Llorente (da seleção espanhola) tem que ser respeitado.

Napoli
Guiado por Maradona, o clube viveu seu apogeu nos anos 1980, conquistando dois Scudetti, uma Copa Itália e uma Copa da UEFA. Após a saída do astro argentino, o time nunca mais foi o mesmo. Caiu para a Serie B algumas vezes. Acumulou dívidas e foi à falência. Graças a Aurelio De Laurentiis, ressurgiu. Desde a Serie C1 até retornar à elite. Para 2013/14, De Laurentiis não tem medido esforços para brigar diretamente com a Juve. Já gastou 58 milhões de Euros (R$ 177 milhões) em contratações. Do Real Madrid vieram Gonzalo Higuaín, Albiol e Callejón, além dos goleiros Pepe Reina (ex-Liverpool) e Rafael (ex-Santos). O time ainda tenta fechar com Arbeloa (Real Madrid) e pode pagar até 40 milhões de Euros por Jackson Martínez, do Porto.




Porto
atual campeão

Mais um tetra a caminho?

Por muitos anos, o Porto sofreu com a síndrome do tricampeonato. O maior rival havia conquistado vários tricampeonatos entre os anos 1960 e 1970. O Sporting fora tetra nos anos 1950. O clube nortenho, entretanto, não conseguia passar do bi. Isso acabou nos anos 1990. E o tri da temporada 1996/97 logo deixou de ser um feito histórico, pois foi sucedido pelo tetra em 1997/98 e pelo penta, em 1998/99. Depois disso, os azuis e brancos voltaram a se sagrar tetracampeões entre 2006 e 2009. Hegemônicos em Portugal, tendo conquistado 20 dos últimos 30 campeonatos, os Dragões são os atuais tricampeões portugueses e partem para a temporada 2013/14 com o objetivo bem definido: juntar mais um tetra à galeria de troféus, para embelezar o seu novo museu que será inaugurado em setembro. Só um clube pode ameaçar a hegemonia azul e branca. O eterno rival Benfica, vice-campeão nos últimos três anos.

Favoritos

Porto
O treinador Vitor Pereira, que comandou o time nos últimos dois títulos nacionais (o mais recente de forma invicta), deu lugar ao promissor Paulo Fonseca, que conquistou o feito histórico de levar o Paços de Ferreira à Liga dos Campeões. O novo técnico não contará com os meias João Moutinho e James Rodríguez, que foram para o Mônaco. E ainda poderá ver o artilheiro Jackson Martínez sair. Em compensação, o Porto contratou mais jovens promessas latino-americanas, como os mexicanos campeões olímpicos Héctor Herrera e Diego Reyes e o meia colombiano Juan Quintero, eleito o melhor jogador do Mundial Sub-20 de 2013. Além deles, os Dragões ainda correm atrás de Bernard, do Atlético-MG.

Benfica
Longe vão os tempos em que o Benfica era o senhor do futebol luso. O período áureo do clube ficou para trás, pelos idos dos anos 1960 e primeira metade dos anos 1970. Desde então, os encarnados viram os rivais do Norte assumirem o protagonismo. Fato que incomoda o orgulho de quem se acostumou a ser tratado como o clube de referência em Portugal. Os dois últimos campeonatos foram traumáticos. Os lisboetas lideraram boa parte do segundo turno, mas foram ultrapassados pelos azuis e brancos nas retas finais. Para tentar impedir mais um tetra do Porto, o Benfica foi ao Leste europeu contratar uma legião de sérvios. São quatro: Lazar Markovic, Uros Matic, Stefan Mitrovic e Miralem Sulejmani. Jorge Jesus continua como técnico.


quarta-feira, 24 de julho de 2013

Para o adiante: a ânsia por se transformar em história

Esta noite o Atlético-MG joga a partida mais importante de sua história. 90 minutos separam o Galo da glória ou da decepção. Usei como inspiração o meu saudoso avô, Waldimir Maia Leite, no texto que escrevi sobre a busca implacável do Atlético-MG pelo inédito título da Copa Libertadores. Para o adiante, Clube Atlético Mineiro.

“Para o adiante, o inevitável prosseguir, pleno de incertezas”, lembrando as palavras do poeta pernambucano Waldimir Maia Leite, o Atlético-MG se encontra diante de seu momento de incertezas, em que é inevitável não prosseguir para o adiante. De sua própria história. Até aqui, 13 jogos. 1170 minutos de bola rolando. Uma emocionante decisão por pênaltis e uma defesa histórica do goleiro Victor pelo meio desses passos que já foram dados. Às 21h50 desta quarta-feira, quando pisarem o gramado do reformulado Mineirão, os jogadores do Galo estarão a um passo da história. 90 minutos. Lapso temporal que há de ser sentido como o sentir de uma vida inteira. É o tempo que separa o Galo da glória. Ou da decepção. “Para o adiante, extensão de querer ser, constituir, permanecer. Vão os passos para o adiante”, para cima do Olimpia, o rei de copas paraguaio. “Para o depois, isto: o ser futuro, nascer. Quanto vale a eternidade?”. É o que Ronaldinho, Bernard, Jô, Victor e companhia hão de responder.

O time mineiro, contudo, tem um desfalque de peso. Devido ao regulamento da competição, o Galo não poderá atuar no alçapão do Independência, espécie de amuleto da equipe. Para entender a importância da relação do Atlético-MG com o estádio, basta ver os números. Em 2013, foram 15 jogos no Independência. 13 vitórias e dois empates. Em compensação, no novo Mineirão, palco da grande decisão, o alvinegro mineiro disputou três partidas este ano. Apenas uma vitória, contra o Villa Nova. E duas derrotas. Ambas como visitante, por 2 a 1, para o rival Cruzeiro. Entretanto, os comandados de Cuca se apegam a um outro dado. A invencibilidade como mandante. Desde novembro de 2011 o Galo não sabe o que é perder quando manda uma partida. Ao todo, 53 jogos imbatíveis.

Precisando inverter uma desvantagem de 2 a 0, Cuca contará com um reforço significativo. O jovem Bernard, que deverá fazer sua despedida do clube, volta a estar disponível. Após cumprir suspensão na partida de ida - e ter feito muita falta ao time - Bernard retorna para recompor o quarteto ofensivo do Galo com Ronaldinho, Diego Tardelli e Jô. “Em todas as situações da vida tem um lado positivo e negativo. Temos o lado positivo no Independência de nunca ter perdido. E aqui no Mineirão, é o público maior e a pressão maior. Mas eu não vivo de superstição. O que está escrito, vai acontecer e nada vai mudar”, disse. Se está escrito ou não, depende da crença de cada um. Mas uma coisa é certa. Como preconizou o poeta pernambucano, “para a frente todos os aconteceres: sempre para o adiante. Não ficar, desesperadamente sair como quem se despede para nunca mais”. Ou para a eternidade.

Estádio lotado
A expectativa de público é de 60 mil pagantes e a renda pode ultrapassar os R$ 8 milhões. Dessa forma, seria o maior público do Mineirão depois da reforma para a Copa do Mundo. Superaria o confronto entre Brasil e Uruguai, que teve 57.783 pagantes, pela Copa das Confederações.


O rei de copas

Não é por acaso que o Olimpia é chamado no Paraguai de “rei de copas”. O clube alvinegro já conquistou a maior competição do continente três vezes (1979, 1990 e 2002). Esta decisão frente ao Atlético-MG é nada menos que a sétima final de Libertadores do gigante paraguaio, que pode escrever seu nome no rol de glórias da competição. Está a uma partida de ser o primeiro clube da história a conquistar o torneio em quatro décadas diferentes. E um trunfo. Seus três títulos foram obtidos na condição de visitante. Assim como o Olimpia jogará na noite de hoje.

Ao Galo, resta a expectativa de repetir o que outro Atlético já fez uma vez. Em 1989, o Olimpia venceu o Atlético de Medellín por 2 a 0 na partida de ida. No jogo de volta, na Colômbia, o Atlético bateu os paraguaios, também por 2 a 0. Nos pênaltis, os colombianos foram mais felizes - 5 a 4 - e ficaram com a taça.

Se for campeão, o Olimpia se junta ao Estudiantes (ARG) como o quarto maior conquistador das Américas, deixando para trás o Nacional (URU) e os brasileiros São Paulo e Santos, que têm três títulos.

As finais do Olimpia

1960 - Peñarol campeão

Peñarol 1x0 Olimpia
Olimpia 1x1 Peñarol

1979 - Olimpia campeão

Olimpia 2x0 Boca Juniors
Boca Juniors 0x0 Olimpia

1989 - Atlético de Medellín campeão

Olimpia 2x0 Atlético de Medellín
Atlético de Medellín 2x0 Olimpia (Atlético de Medellín 5x4 nos pênaltis)

1990 - Olimpia campeão

Olimpia 2x0 Barcelona de Guayaquil
Barcelona de Guayaquil 1x1 Olimpia

1991 - Colo-Colo campeão

Olimpia 0x0 Colo-Colo
Colo-Colo 3x0 Olimpia

2002 - Olimpia campeão

Olimpia 0x1 São Caetano
São Caetano 1x2 Olimpia (Olimpia 4x2 nos pênaltis)

Invencibilidade do Atlético-MG como mandante

53
jogos

42
vitórias

11
empates

124
gols marcados

37
gols sofridos

Atlético-MG no novo Mineirão

03/02/2013 Cruzeiro 2x1 Atlético-MG
21/04/2013 Atlético-MG 2x1 Villa Nova
19/05/2013 Cruzeiro 2x1 Atlético-MG

3
jogos

1
vitória

2
derrotas

4
gols marcados

5
gols sofridos

Ficha técnica

Atlético-MG: Victor; Michel (Rosinei), Rafael Marques, Gilberto Silva e Júnior César; Pierre, Josué e Ronaldinho; Bernard, Diego Tardelli e Jô. Técnico: Cuca.

Olimpia: Martín Silva; Julio Manzur, Herminio Miranda e Salustiano Candia; Nelson Benítez, Mazacotte, Eduardo Aranda, Wilson Pittoni e Alejandro Silva; Fredy Bareiro e Juan Manuel Salgueiro. Técnico: Ever Hugo Almeida.

Local: Estádio Mineirão (Belo Horizonte). Hora: 21h50. Árbitro: Wilmar Roldan (COL). Assistentes: Humberto Clavijo (COL) e Eduardo Ruiz (COL).